Do jeitinho que eu gosto

Começando os posts do blog atrasada porque o ano começou bombando! Teve vários ensaios nas “férias”, participei de uma exposição fotográfica, concluí mais um curso de fotografia e semana que vem tem congresso e workshop de newborn. É, 2018 já veio com tudo, do jeitinho que eu gosto.

Fecundo

Fecundidade: fig. capacidade criativa; inspiração.

2017 foi um ano fecundo para mim. Foram 12 meses me ofertando a oportunidade de me reinventar, foi o ano em que celebrei 20 anos de profissão, foi o recorde de bebês até aqui (e espero quebrar esse recorde em 2018), teve congresso e workshop de newborn, teve curso de fotografia autoral, teve amor em cada contrato que assinei, teve muito carinho e gratidão por cada família que fotografei. Tenho certeza de quem em 2018 essa história vai se repetir porque essa é a minha história. Há 20 anos eu construo a imagem do amor para quem me escolhe, para quem confia em mim. Com essa foto do pequeno Arthur, retrato do amor da mamãe Rachel e do papai Bruno, venho desejar um feliz natal e um novo ano fecundo para você também. Estaremos de volta dia 15/01, até breve!

Inteira

Isabella me procurou para fazer o ensaio do Álvaro depois de 30 dias que ele nasceu, o que por si só já é um alerta vermelho. Via de regra, bebês de 30 dias já não tem mais aquelas características que favorecem o bom andamento do ensaio newborn (o sono já está mais leve, o tônus muscular mais forte e há maiores chances de ocorrerem crises de cólica) e tem fotógrafo que foge dessa situação. Com toda sinceridade, não nego que essa possibilidade me ocorreu, mas ela logo deu lugar ao sentimento de empatia por aquela mãe. Eu não tive coragem de negar àquela família a memória dessa fase tão breve e encantadora, optei por correr o risco. De minha parte, eu faria de tudo para que obtivesse êxito, quanto ao resto, não dependia de mim e não seria motivo para fugir, embora soubesse que eles poderiam sair daqui com uma péssima imagem do meu trabalho caso as condições desfavoráveis levassem ao fracasso do projeto – o que já vi acontecer algumas vezes, especialmente no universo newborn. Encarei. Aí estão as cenas e elas falam por si. Sempre me questiono a respeito das condições necessárias para o êxito nesse ramo da minha fotografia. Já tive ensaios com bebês dentro das “condições ideais” que me deixaram frustradas com o resultado final por vários motivos: bebê com cólica, bebê com fome, papais com dificuldade de confiar verdadeiramente o bebê aos meus cuidados, etc. Ainda não tenho uma opinião formada sobre isso – embora seja inquestionável que priorizar as condições ideais são boa parte da possibilidade de sucesso – mas, uma coisa posso afirmar: independente da situação que se apresente, quem escolhe o quanto me dou sou eu e essa escolha não é uma variável. Meu cliente me tem, inteira.

Troféu

Sarah chegou para mostrar a essa família uma força que eles não sabiam que tem. É o que acontece com as famílias de bebês que vão para o CTI. Assim como eu, essa mamãe teve alta da maternidade e voltou para casa sem seu pacotinho de amor. A dor é devastadora e parece que a gente foi lançada em um vazio que não tem como explicar. Ver nossa cria tendo que lidar com tanta coisa no hospital nos faz experimentar um sentimento de impotência enorme, mas traz também a oportunidade sagrada de experienciar a fé. Chorei junto com a Fabiana, essa mãe que me mostrou uma fé imensurável, tocante até. A pequena veio forte como a mamãe e venceu a batalha, essas fotos foram o troféu. Foi maravilhoso poder fazer esses registros e sentir a confiança que essa família depositou em mim e no meu trabalho. Minha alegria em estar de mãos dadas com eles nesse novo passo foi tremenda e eu agradeço imensamente por compartilharem comigo esse momento de paz com gosto de vitória.

Minha busca

Dediquei meu fim de semana à fotografia newborn. Foram quatro oficinas e várias palestras que enriquecerão muito meu trabalho e já ressignificaram várias coisas no meu modo de pensar esse ofício que eu amo tanto. Fotografar recém-nascido é coisa séria! Antes de mais nada é preciso respeitar os limites daquele serzinho tão frágil que ainda está se adaptando à vida fora do útero. Não podemos tirar da mente que não estamos fotografando para nós, não se trata de uma competição sobre quem faz a pose padrão mais perfeita, essas imagens serão a memória da família e tudo o que eles querem é lembrar de como era seu maior tesouro quando chegou ao mundo. Fazer com que o ensaio seja uma experiência agradável da qual a mãe se lembrará com carinho deve ser item básico na mente dos profissionais. Tudo isso pode parecer óbvio, mas nem sempre é o que ocorre. Esse ensaio é para mim um exemplo de como isso é possível: sem acrobacias, sem sacrificar o bebê, sem mamãe insegura e com resultado encantador. É o que eu sempre busquei e é no que vou mirar, sempre.